A Polícia Rodoviária Federal (PRF) contestou dados apresentados por Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da corporação, à CPI dos Ataques Golpistas sobre as blitzes realizadas no segundo turno das eleições do ano passado. Ele é investigado por suposto uso político da PRF para dificultar a locomoção de eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na quinta-feira, a relatora da comissão, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), adiantou que pedirá ao Ministério Público Federal (MPF) a abertura de uma notícia-crime contra ele por falso testemunho.
Em depoimento na terça-feira, Vasques afirmou aos parlamentares que a Polícia Rodoviária Federal recolheu apenas cinco ônibus na região Nordeste em 30 de outubro de 2022. Ao GLOBO, a corporação informou nesta quinta-feira que, na verdade, foram apreendidos nove ônibus. No Sudeste, por exemplo, que reúne os dois maiores colégios eleitorais do país, houve apenas uma apreensão. Segundo a PRF, naquele dia, um total de 13 veículos com passageiros foram retidos — 70% no Nordeste.
Hoje aposentado, Vasques é alvo de um inquérito da Polícia Federal e um procedimento interno da PRF para apurar esses bloqueios, concentrados no Nordeste, reduto eleitoral de Lula. Na CPI, Silvinei negou as acusações, classificando-as como a “maior injustiça da História da PRF”. O GLOBO procurou o advogado de Silvinei para comentar a incongruência nos dados, mas não houve resposta.