Petrolândia em 1889 (Foto: Adolfo Lindemann)
1. TRÊS CIDADES, UMA HISTÓRIA?
A história da antiga e submersa Petrolândia é rica e cheia de transformações, principalmente no que se refere as mudanças toponímicas e o pós construção pela CHESF, da Usina Hidrelétrica de Itaparica, depois rebatizada de Luiz Gonzaga. Com o enchimento do lago de Itaparica, diversas cidades, povoados e áreas agrícolas foram submersos nas águas do Rio São Francisco como: Rodelas (cidade); Barra do Tarrachil (distrito de Chorrochó); Glória (área agrícola) e Abaré (área agrícola), estes na Bahia. E Itacuruba (cidade); Petrolândia (cidade); Barreiras (povoado de Petrolândia), Várzea Redonda (povoado de Petrolândia); Atalho (povoado de Petrolândia); Floresta (área agrícola); Belém de São Francisco (área agrícola), do lado pernambucano.
Entender o processo de transformação da velha Petrolândia submersa até os dois novos núcleos urbanos que surgiram é tentar organizar um "balaio de gatos", já deixo aqui o aviso.
Em seus primórdios se chamou
Bebedouro de Jatobá, inicialmente pertenceu ao território do Julgado de Tacaratu. Este, por sua vez, consquistou o status de vila em 1849. Em 1887, já com o impulso econômico promovido pela ferrovia,
Jatobá, que era estação terminal da EFPA, também é elevada a vila, e tornou-se sede do município, passando Tacaratu então à distrito. No entanto, em 1892, Tacaratu volta a ser a sede. Em divisão administrativa de 1911, nova mudança, Jatobá volta a ser a sede do município e Tacaratu, "torna" a distrito. Em 1928 mais uma mudança, Tacaratu volta a ser a sede do município e Jatobá, agora distrito novamente, passa a denominar-se
Jatobá de Tacaratu (ex-Jatobá). Em divisão administrativa de 1933, Jatobá de Tacaratu permanece distrito. Em 1935, o distrito de Jatobá de Tacaratu, muda de nome novamente, passa a chamar-se
Itaparica (ex-Jatobá de Tacaratu). Em 1938, Itaparica volta a ser sede do município. Em 1943, finalmente muda o nome para
Petrolândia (ex-Itaparica). Em 1953, Tacaratu é desmembrada do município de Petrolândia.
2. DOM PEDRO II: "GOSTARIA, MAS NÃO ESTIVE EM JATOBÁ"
As diversas mudanças toponímicas, deram razão a Abdias Moura quando este escreveu em seu livro
Sumidouro do S. Francisco - subterrâneos da cultura brasileira (1985), ao discorrer sobre o desaparecimento iminente de Petrolândia sob o lago de Itaparica:
Tal inundação, de resto - teria alguém acaso argumentado - , iria atingir os cem anos de uma cidade em que nada, rigorosamente nada, fora jamais definitivo: a começar do próprio nome, artificiosa homenagem ao imperador, por haver autorizado a construção de um porto fluvial alguns metros adiante da estrada de ferro (...) (MOURA, 1985, p. 378, grifo nosso)
Alguns batismos na velha cidade, homenageavam o Imperador Dom Pedro II: uma rua; o cais e depois a mudança de nome que reabatizou a cidade de Itaparica para Petrolândia.
O novo batismo para Petrolândia (Terra de Pedro) em 1943, segundo o site oficial do IBGE, seria uma homenagem ao Imperador Dom Pedro II, que teria visitado o lugar. Tal visita nunca ocorreu, mas a própria instituição reproduz essa errônea informação histórica e também gera confusão quando mistura a história de três cidades (Tacaratu, Petrolândia e Jatobá) na página oficial da instituição.
A velha Petrolândia, perdurou até 1988, quando foi inundada pelo Lago de Itaparica e deixou de existir. Com a inundação e o processo de reassentamento, surgiram dois novos núcleos urbanos: a "nova" Petrolândia à montante e a "nova" Jatobá à jusante da velha cidade. A nova Jatobá seria inicialmente distrito da nova Petrolândia, sendo emancipada em 1997. A nova Jatobá surgiu no entorno do Acampamento Itaparica, que abrigava os trabalhadores e parte da estrutura administrativa da CHESF. O acampamento, alguns anos depois se tornaria o Bairro Itaparica, processo semelhante ao que ocorreu com o Acampamento Xingó, em Piranhas/AL, duas décadas após a construção da Usina Hidrelétrica de Xingó.